Controle e cultura

Posted on September 2nd, 2008 in divagações by vanini

Dia 31 foi o BlogDay e recebi um selo da fofa da Amanda, por meio do blog Baseado em Fatos Reais.

Indicado por baseado em fatos reais

Mas em meio a essas reflexões, estava lendo o capítulo “A linguagem do gesto no início da Itália moderna”, do o livro Variedades de História Cultural, do Peter Burke, indo para o trabalho:

Os italianos eram ou haviam sido mais próximos do estilo francês de vivacidade, tanto que às vezes entendiam o gesticular espanhol como uma ausência. Assim Pedro de Toledo, vice-rei de Nápoles em meados do século XVI, surpreendeu a nobreza local pelo fato de , quando em audiência, permanecer imóvel, como uma “estátua de mármore”. A expressão era, ou se tornou, um tema recorrente. [p.107]

Não é de hoje que a forma como você gesticula, veste ou se porta diante do público revela a qual classe social você pertence ou os modos que tem. Existem muitos relatos dos inquisidores (pessoas tão delicadas e agradáveis [isso é uma inonia]) explicando os gestos e reações dos pobres coitados que eram chamados de demônios, possuídos, bruxas e demais nomeações que não vale a pena ficar relembrando. Aliás os critérios eram os mais loucos!

Quem nunca ouviu o aquela conversa de que mulher não deve sorrir e mostrar os dentes? Acreditem, isso é de um tratado do século XIV, que também informava que as mesmas  deveriam mostrar timidez e modéstia nos gestos, andar com pequenos passos, não apoiar a cabeça com as mãos e não chorar alto!

O mais chocante é perceber que, o que um dia era ruim – como cruzar as pernas – em outro é visto como de bom tom. De qualquer forma a curiosidade existente é que essa expressão “estátua de mármore” é algo que já ouvi no decorrer da vida e de fato, com um tom crítico, o mesmo tom que ouvia a frase “vai ficar ai parada como um dois de paus?”.

Refleti sobre isso, não é novidade esse controle (Foucault e Norbet Elias que o digam) e julgamento dos gestos e da forma. Massa de manobra boa é massa de menobra que não pensa, não reflete e não faz nada por conta própria. Fechei meu livro e pouco depois entrou um rapaz no ônibus, mas surpreendentemente ele não estava vendendo nada, estava sim ofertando sua música! Situação inusitada, uma total falha na Matrix. O rapaz, de nome Wellington, cantou Pra não dizer que não falei das flores e uma outra música que acredito que o nome seja Casinha branca, mas não tenho certeza.

A primeira música me deixou arrepiada… sempre fico afetada quando o tema é ditadura, inquisição e essas aberrações de nossa sociedade. Aberrações essas que se sentem no direito de julgar os outros a partir de seus parâmetros e assim enquadrar as pessoas como certas e erradas, sofrendo as últimas as conseqüências de não fazerem parte da massa, de não serem mais um na multidão, de não obedecerem o seu deus, etc..

One Response to 'Controle e cultura'

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  1. Nique said,

    on September 3rd, 2008 at 14:19

    hahsuahsuahsha
    bjus

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