Editoriais de 1964
Pois é… navegando na rede procurando as manchetes da mídia podre de nosso país na época do golpe militar (que aniquilou com as possibilidades do Brasil ter cidadãos atuantes), localizei um blog de história, o BrHistória.Nesse blog ele cita que um pesquisador (mas infelizmente não fala quem é o pesquisador) selecionou os editoriais pós-golpe. Vale a pena relembrar como a nossa mídia não muda e como o povo é inocente de acreditar (e se permitir ser manipulado) por ela…
Para aqueles de estômago fraco, recomendo que não leiam as próximas linhas. Vou colocar só alguns editoriais, aqueles do “princípio” do golpe e um de 1973 que merece ser lembrado.
Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964 – “Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
Jornal do Brasil, edição de 01 de abril de 1964. - “Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”.
O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964 -“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (…), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”
O Globo – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964 - “Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”
“Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”
O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964 – “A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964 – “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”
Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964 – “A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
O Globo – Rio de Janeiro – 4 de Abril de 1964 – “Ressurge a Democracia ! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.
Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições”
“Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada …”
Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964 - “Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República …
O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
A Razão – Santa Maria – RS – 17 de Abril de 1964 – “Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas”
“Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 31 de Março de 1973 – “Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se.
Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.
“A onça cresce mas não perde as pintas”
E eu ainda tenho que ouvir um néscio, que cursa Direito, falar que “só vagabundo e maconheiro foi preso e perseguido durante a ditadura. Meu pai nunca passou por isso”. Isso depois de comentar que todos os motoqueiros são bandidos e merecem morrer de tiro na cabeça enquanto trafegam pela cidade. ¬¬
Como de praxe, é um indivíduo que está buscando a paz interior e tentando aprimorar seu lado espiritual… e claro… fazendo concurso pra ser policial federal/civil/militar.
Luz e Harmonia (vamos precisar)
P.S. Link de última hora pra acrescentar Fazendo Média


on April 1st, 2008 at 11:24
Oi mininaaa !
Não conhecia esse teu recanto secreto, mas algumas informações me fizeram perceber que era você, inclusive seu estilo ^^
Muito legais todas as juras até aqui. E esses editoriais são como arquivos ocultos da ditadura, realmente! Muito bom. É triste saber como se manifestaram na época. Porém, parte (eu disse ‘parte’) pode ter sido escrito sob o peso do momento macarthista, antes da análise mais acurada e reflexiva dos fatos. Mas é inafastável nos editoriais a noção de que já havia um comprometimento, dissociando ficção da realidade em nome de interesses políticos.
Mudando de assunto: Dia 30 tomou a dose, né? Como estás? Eu tô na torcida, viu?
^^ Um beijo bem grandão!!
on April 1st, 2008 at 18:25
Poizé, Anjinho…
Mas creio que a cidadania atuante está fora do inconsciente coletivo do povo daqui do País das Maravilhas (a.k.a.: Brasil) por motivos ainda mais antigos:
Não tivemos que lutar pela independência, tampouco pela república. A escravidão só foi abolida por conta de pressões comerciais internacionais. Não derrubamos o governo militar. Não fizemos as Diretas-Já. “Fora Collor”? Precisavam de um bode espiatório…
Talvez uma das poucas coisas que um movimento popular (estudantil) fez, e do qual tive orgulho de participar, foi a derrubada do projeto GERES, em meados dos anos 1980…